COMO VENDER NOSSO PEIXE  escrito em quarta 26 setembro 2007 22:50

Há poucos dias, recebi em casa um amigo que me falou de um artista conhecido seu que morava na cidade de Parati, lugar belíssimo por sinal, me interessei pela descrição do seu trabalho e resolvi visitar o site, e escrever-lhe uma mensagem.

Que surpresa a minha, uma pessoa muito especial e gentil, me respondeu de uma forma bastante divertida, me apresentei a ele como sendo uma artista plástica que morava no Paraná e coisa assim, ele respondeu-me que estava imensamente feliz em saber que ainda existiam artistas plásticos vivos no Brasil, pois acreditava que todos já haviam morrido de fome, me falou que tinha cinco trabalhos diferentes, que era fotógrafo, e tinha uma pousada, tudo isso ele fazia, apesar de seus mais de 60 anos para sobreviver, me disse ainda que em sua cidade houvesse mais artistas por metro quadrado, do que gente, e que na realidade estava afastado das artes plásticas, mas pretendia achar tempo para retornar a ela.

Agradeci a mensagem, e fiquei algum tempo pensativa acerca de suas palavras, a princípio o que achei uma maneira divertida de expressão, me pareceu mais um desabafo de um homem que mais do que um artista, falava como um cidadão.

Voltei a apreciar seus trabalhos de xilogravuras, lindíssimos de uma qualidade rara, e naquele momento voltei meus pensamentos a uma realidade bastante presente no dia a dia do artista neste país.

Todos estão sempre se perguntando como vender as suas obras de arte, como sobreviver apenas delas.

É realmente um desafio, pois os dias de hoje não estão fáceis para ninguém, e a arte tem sido banalizada em alguns segmentos, na esperança da sobrevivência do artista.

Tenho visto coisas boas expostas em praças públicas, misturada com cópias banais que tantos fazem aos montes, para conseguir algum dinheiro, isto é triste, porém real.

Quando recorrem às galerias, a decepção não é menor, pois quase é preciso pagar para vender algum trabalho através delas.

Vejo com tristeza, muitas pessoas talentosas desistirem da arte para poder sustentar sua família.

Bem, aí é preciso ter aquelas palavrinhas chaves que são “determinação e perseverança”. É preciso ampliar o leque e tentar fazer com que sua arte possa ser aproveitada em outros segmentos.

Quando temos uma natureza criativa, precisamos investir neste talento de todas as formas, buscarmos novidades no mercado, aprender novos recursos, estudar novas técnicas, inventar algo novo, que seja mais apropriado à ótica de nosso público, sim, pois se pretendemos viver de arte, temos que correr atrás de tudo o que diz respeito a ela, e existem muitas opções por aí, temos as tecelagens, as empresas de customização, o recurso das gravuras, as finalizações de obras arquitetônicas, etc.

O que não temos é que desistir de nossos sonhos, nem que para isso seja necessário dedicar apenas uma pequena parte do seu tempo às coisas que mais gosta de fazer, no meu caso, pintar.

Isso não é uma receita, mas um depoimento. Criei meus filhos, sozinha com meu trabalho de arte, e hoje todas as manhãs tenho que falar com gerentes de banco, pagar contas, fazer relatórios da empresa que administro, e adoro quando chega ao meio do dia e posso vestir minhas roupas sujas de tinta, entrar no atelier e voltar a ser apenas uma artista a mais neste país com tantos talentos escondidos e desiludidos.

A arte em priori tem que nos dar prazer, só depois disso é que conseguiremos vender o nosso peixe aos que ainda se encantam com as delícias de viajar os olhos em uma obra de arte.

Cristiane Campos    

21/08/2007

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Todos os comentários desse artigo:
COMO VENDER NOSSO PEIXE

  • andré primo mailto

    Sáb 05 Set 2009 00:13

    desculpE o meu nome certo é ANDRÉ PRIMO

  • nadré primo mailto

    Sáb 05 Set 2009 00:10

    Ólá !
    Brinco de ser artita plástico a 5 anos !
    Já vi e ouvi historias bem parecidas, infelismente aqui é assim mesmo, me pare que temos que ir para outro país para obtermos algo que nos agrade,mas de uma coisa eu sei não desisto nunca e não podemos mesmo pois somos guerreiros que travamos umagrade guerra em cada pincelada ,uma guerra para vender nosso peixe,e uma guerra ainda maior para o reconhecimento que parece nunca chegar! tenho uma inpiração tds os dias, ela tem 1ano e 7 messes de idade é linda muito linda e é minha obra prima ''lia''.
    se vamos viver de nossa arte QUE SEJÁ ETERNO EM QUANTO DURE (que dure para td o sempre).

  • Edmilson Oliveira mailto

    Seg 27 Abr 2009 05:53

    Olá Cristiane!
    Como autodidata, comecei a pintar aos dez anos, hoje aos 40 ainda sobrevivo pintando meus quadros e inventando coisas relacionadas a arte. Tem dia que acordo cheio de esperanças e inspiração, tem dia que as vezes me pergunto: será que a profissão que escolhi vai me deixar na mão? Mas o que prevalece graças a DEUS é essa vontade divina de registrar a minha passagem aqui em nosso planeta.
    Para mim, "o mais importante de um povo é a preservação de sua história".

  • iara mailto

    Dom 12 Out 2008 11:42

    Estou tentando viver de arte também. Mas não tenho conseguido. Tenho 34 anos e estou frustrada. Meu desejo é permanecer, mas tenho pensado em mudar meu foco. Infelizmente. Mas se puder dar umsa dicas de como posso conseguir vender agradeceria muito.

  • Rute Frare mailto

    Ter 10 Jun 2008 21:10

    A Artista Plástica Rute Frare convida para prestigiar sua performance "Porque as Rosas não Falam", homenageando Cartola no seu Centenário.
    Casa das Rosas
    21:00 h
    Av. Paulista, 37 - Bela Vista São Paulo
    (ao lado do Espaço Cultural Unibanco)


  • Rute Frare mailto

    Qui 28 Fev 2008 01:29

    Linda, tudo o que diz é lindo mas, sou artista plastica e ainda tento sobreviver da arte. Tem dias que como, outros passo fome. Todos me dizem o quanto sou tola em acreditar. Muitos, mas muitos mesmo me dizem: Vai trabalhar!
    O que devo fazer? Ja tenho 48 anos e não estou conseguindo sequer me sustentar. Devo continuar insistindo?