DIA DAS MÃES  escrito em sexta 09 maio 2008 19:32

 

“Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse, eu queria outra vez mamãe
Começar tudo, tudo de novo”.

 

Lembro-me que a musica era mais comprida, mas esta parte recordo-me bem, minha mãe não vivia com avental sujo de ovo, mas o chinelo na mão era de praxe para poder dominar as quatro crianças traquinas que rodeavam suas pernas o dia todo a pedir alguma atenção.

Lembro-me com tanta clareza de sua rotina exaustiva, desde o amanhecer até o beijo de boa noite, os banhos na grande bacia de alumínio, onde ela agachada esfregava com uma bucha trazida do sitio de minha avó, os pés vermelhos de terra da criançada.

O quintal de nossa casa se dividia com os vizinhos por uma cerca de madeira, aonde as comadres trocavam tomates e frutas que cresciam no quintal.

A vida tinha lá suas dificuldades certamente, mas como éramos felizes em nossos brinquedos primitivos, o tico-tico, o velocípede de lata, o balanço de pneu pendurado a arvore no meio do jardim.

Estas mães também tinham suas lutas e labutas, também rezavam diariamente aos anjos da guarda de seus filhos, também se preocupavam com o futuro deles, mas eram bem mais felizes do que muitas mães que hoje vemos estampadas nos noticiários, algumas a implorar socorro médico a um filho vítima da dengue, outra a chorar sobre o pequeno corpo de uma filha assassinada.

As mães da época da minha, tinham angústias diferentes das que eu tive como mãe, elas se preocupavam com o bem estar de seus filhos como todas nós, porém não tinham o fantasma das drogas a assombrar-lhes as noites como mães de minha geração tiveram. Não havia o medo de abusos sexuais com seus filhos como vemos nos dias de hoje, e tão pouco precisavam de psicólogos a orientar-lhes quanto à conduta educacional. Íamos sozinhos à escola, carregando nossos livros e pulando os ladrilhos da calçada. Não vejo mais crianças na rua indo à escola, as poucas que ainda perambulam desacompanhadas, provavelmente nem tem uma casa para voltar.

Então eu concluo que as mães de hoje são verdadeiras heroínas, tenho visto a maioria delas a se desdobrar entre os deveres da casa, e o trabalho fora dela, para ajudar a suster sua prole, e com o coração apertado continuam a rezar aos anjos, só que não apenas a pedir-lhes proteção à saúde, mas pedindo que os guarde das balas perdidas, dos assaltos, das drogas e das más companhias e de tantos outros males da vida moderna.

Que saudades de comer bolo de cenoura com chocolate na hora do café da tarde.

Hoje estas mães guerreiras assam o bolo na frieza da madrugada, antes de saírem de suas casas para mais um dia de trabalho, deixando aos anjos da guarda os apelos por proteção.

Parabeniza-las apenas um dia, seria injusto, merecem nossa admiração todos os segundos, todas elas, sem exceção, todas estas mulheres que se viram de repente diante de um quadro completamente diferente daquele em que foram criadas, elas continuam sujando seus aventais de ovo, e também de graxa, de tintas, de terra e tantas outras coisas.

“Se eu pudesse, eu queria outra vez mamãe, começar tudo, tudo de novo".

 

Faça um comentário!

Para conhecer você melhor (Opcional) :

error

Importante: comentários racistas, insultas, etc. são proibidos nesse site.
Caso um usuário preste queixa, usaremos o seu endereço IP (38.103.63.62) para se identificar

Todos os comentários desse artigo:
DIA DAS MÃES

  • mailto Gabiiih³³

    Ter 07 Out 2008 19:33

    sou a gabiiih³³!
    Amei essa cronica

  • genni

    Sáb 31 Mai 2008 17:41

    Suas crônicas estão lindas, em especial a dos dia das mães. Você só se esqueceu que sua mãe não tinha pontaria boa quando empunhava um chinelo...eheh. Acho que podíamos publicar nossas crônicas, assim "CRÔNICAS DE MÃE E FILHA". BEIJOS MÃE